5 de julho de 2011

À minha Heidi


Chegaste às minhas mãos na noite de Natal de 1998. Foste o presente do meu Pai, que sempre teve esse dom de surpreender nesse dia. Eras pequenina, pretinha e vinhas com um laço cor- de- rosa ao pescoço. Estiveste a noite toda escondida na marquise da tia Dade e a Família foi muito cuidadosa para que eu não desse conta de que estava um cãozinho ali “guardado”.
Quando te recebi foi a concretização de um sonho. Desejava-te há muito tempo e já te tinha pedido ao meu Pai no Natal anterior. Nesse ano fiquei triste porque o meu Pai não conseguiu aceder ao meu desejo.
No Natal 98, tudo se proporcionou, com a ajuda do meu saudoso Tio Quim e chegaste à nossa Casa.
Desde então tens sido a minha melhor Amiga, a melhor companheira. Fizeste muitas asneiras quando eras pequenina, roeste sapatos, fizeste xixi dentro de casa. Cresceste, mas mantiveste a tua maluqueira. Roubaste bifes na banca da cozinha e rebuçados da mesinha de cabeceira do “patrão”. Eras uma gulosa de primeira espécie. Uma comilona insaciável.
Juntas vivemos momentos só nossos. De uma cumplicidade ímpar. Tenho-te como um membro da Família. Não imagino a nossa casa e a nossa vida sem ti. E, por isso, sofro tanto quando estás doente. Fiquei desfeita quando descobri que tinhas nódulos nas maminhas e sofri quando o Dr. Carlos me disse que tinhas que retirar as cadeias mamárias. Foram duas cirurgias num espaço de dois meses. Lembro-me de ter dormido na sala, pertinho de ti, porque morria de medo que te sentisses mal durante a noite. Mas tu foste uma heroína e recuperaste de forma impressionante. Nos primeiros tempos era estranho fazer-te aquelas festinhas na barriga que te deliciavam. Mas depois passou a ser normal ver a tua barriguinha lisinha.
Continuaste firme estes anos todos. Sempre com esse ar amoroso e essa ternura que nos cativou nestes 12 anos. Pois é… em Outubro fazes 13 anos. Fazendo as contas estás velhinha e já estamos a sofrer as consequências da idade. Tenho andado a mentalizar-me de que não te resta muito tempo de vida, mas não consigo. Aquele dia em que cheguei a casa e encontrei a minha Mãe a chorar ao teu lado, mudou a tua e a nossa vida. Deixaste de conseguir andar… Chorámos, sem querer acreditar naquilo que estávamos a ver, mas até nesse momento conseguiste fazer algo do qual nos havemos sempre de lembrar a rir… Sentiste cheiro de fiambre e começaste a andar. Levamos-te ao veterinário e lá ficaste parte do dia. (Como custa deixar-te na clínica… É algo a que nunca nos habituamos…). Regressei ao final do dia para ouvir o que o Dr. Carlos tinha para me dizer. Mostrou-me o raio x e fiquei a saber que tinhas a coluna deteriorada, cheia de bicos de papagaio. Teríamos que passar a conviver com essa realidade que implicava ter altos e baixos, e muitas crises. Nunca mais foste a mesma… Perdeste a vivacidade… A alegria… E desde então tens vindo a envelhecer e a tornares-te, dia após dia, mais frágil.
Escrevo este post porque sinto necessidade de deixar este testemunho. O destino nem sempre permite que vivamos em felicidade plena. Estou a poucos dias de me casar e de viver um dos dias mais felizes da minha vida, mas tenho-te em casa, completamente dependente e a sofrer com a doença. Já não vês (Tinhas uns olhos tão lindos!!!), precisas de ajuda para te levantares e alguém para te guiar enquanto vais fazer as necessidades ao jardim cá de casa… Tenho feito tudo por ti. Tento dar-te as melhores condições para que não sofras. E, embora no fundo saiba que vou ter que te perder, alimento sempre a esperança de que vais durar mais algum tempo.
Quero que saibas, minha Heidi, que foste das melhores coisas que me aconteceu na vida. Que és insubstituível! Adoro-te e sempre te vou adorar. És a minha pretinha linda. Obrigado por tudo quanto me deste ao longo destes anos. Quantas vezes, foste o meu ombro amigo. Quantas vezes, falei contigo sobre as minhas mágoas e as minhas alegrias. E tu, sempre disponível para mim! Fazes parte da minha vida. E no dia em que partires, levas um pedaço de mim. Até lá, continuarei a lutar por ti!

3 comentários:

xuuninha disse...

Linda estou aqui no meu local de trabalho cheia de lagrimas nos olhos ...como eu te compreendo!!!
os nossos animais são como pessoas..alias pra mim tanto o meu Bennie como a Rafa são mais importantes do k algumas pessoas da minha familia ..
e nao consigo imaginar de maneira nenhuma a minha vida sem eles...
tnato um como outro tb estao a ficar velhinhos e estao os dois a começar a coxear e doi me muito pois sei k é um sinal de velhice!

eu sei k é dificil mas tens de tentar abstrair te um bocadinho pois estás prestes a viver um dos dias mais felizes da tua vida e tu sabes que ela mesmo doentinha,está feliz por ti a maneira dela...


beijo grande ..
adoro te !!!!
ja so faltam 3 dias ....

Anônimo disse...

Prima, já deves imaginar que n contive as lágrimas ao ler este post pois além de viver esse teu sofrimento, aquilo que eu passei, com os meus,voltou como se fosse ontem!
Sei que é difícil, difícil não..... muitooooo difícil!!!! Tenta pensar apenas nos bons momentos.

Beijinho grd adoro-te e já sabes q podes contar sempre comigo.... quero-te ver feliz pois o teu dia está a chegar.... e eu....
.....ainda não tenho vestido!!!!!! uáááá...... :)

Ginelli

Anônimo disse...

Oi!!!
Cunhada, sei o que sentes e quanto sofres...eu perdi o meu gatito Sebatião e apenas o tive durante um ano..um ano em que foi o meu companheiro para todas as ocasiões. A minha colega deu-mo e disse ..olha que não ouve, a verdade é que era um requila e o animal mais meigo que alguma vez conheci....um amigo!!! Chorei qdo a minha Mãe me ligou e disse que estava morto...as lágrimas corriam sem controle...ficou para sempre no meu coração!!!
Tenho o privilégio de conhecer a Heidi, uma cadela que com o tempo é impossível não gostar...em pouco tempo aceitou-me como amiga!!
Estas a fazer tudo ao teu alcance para manteres a sua qualidade de vida...deves estar orgulhosa e a Heidi "sabe-o"..tenho a certeza!!!!
Beijinhos,,e já sabes podes sempre contar comigo..para o que der e vier...:) :)!!!