
O meu São Pedro 2011 foi estranho e duro. Passei-o com um vazio muito grande dentro de mim, sentindo-me como um peixe FORA d’ água.
Quando, em 1999, fiz pela primeira vez parte da rusga da Matriz, percebi que o São Pedro é aquilo. E durante doze anos foi sempre assim que o vivi.
Este ano, ao estar de fora, fiquei ainda mais certa de que festejar o São Pedro, verdadeiramente, é ir numa rusga! Ou melhor, é ir na Rusga do Bairro onde nascemos, onde crescemos, onde vivemos. No caso de muitos, no bairro que os acolheu e os adoptou.
Algum dia tinha que passar por esta transição. Felizmente, o motivo que me levou a sair foi o melhor de todos: o meu casamento com o Daniel!
Sendo assim, tentei adaptar-me ao “outro lado”. Ajudei a minha priminha Inês a vestir-se; fui com a minha prima Tininha à Associação ver a partida da rusga e, depois a passo rápido, fomos para o Cruzeiro, porque não podíamos de maneira nenhuma perder o grande momento da passagem da rusga por esse lugar tão marcante. Chorei! Tive vontade de ir atrás dela a noite toda, mas contive-me. Voltei para casa e assisti à actuação dos outros Bairros, mas sempre à espera que a Matriz regressasse. Até que eis que “Ela” chega deslumbrante como sempre! E voltei a chorar, mal vi os meus amigos, ali, em cima daquele palco que para mim foi sempre o melhor lugar da noite! Cantei, ri-me ao mesmo tempo que o meu coração batia a mil porque, para mim, enquanto componente, aquele era sem dúvida o melhor momento do São Pedro! O regresso a Casa.
Depois veio o “baque” da noite quando ouço a voz da Ana Ensaiadora ao microfone a pedir que eu e o Daniel subíssemos ao palco. Uma surpresa inesperada e que nunca esqueceremos. A rusga cantava o famigerado “Boa sorte” aos Noivos e eu sentia que um “Obrigado” era muito pouco comparado com a felicidade que eles provocaram, em mim e no Daniel. Chorei. Mais uma vez. Chorei de emoção pura e simples, porque naquele momento eu tive a confirmação de que durante estes 12 anos convivi com pessoas extraordinárias e que com aquele gesto mostraram que me conhecem bem. Aqueles breves minutos, encheram o meu primeiro São Pedro fora da roda. Senti que eu e o Daniel continuamos a pertencer àquele grupo. A mensagem lida pelo meu amigo de infância e antigo par da rusga, Pedro Magalhães foi como que a cereja no topo do bolo.
Eis as palavras que os nossos amigos da Rusga nos dedicaram:
«Ao longo da nossa vida conhecemos muitas pessoas, mas há algumas que se tornam nossas amigas e que ficam nos nossos corações por aquilo que nos transmitem e por serem especiais.
Na rusga da Matriz formamos um grupo de verdadeiros amigos, onde, em alguns casos, a amizade deu lugar às paixões que se perpetuam, como é o caso da Sílvia e do Daniel.
A nossa Igreja Matriz, símbolo do nosso bairro, vai ser palco de uma actuação diferente da que eles estão habituados e não queremos deixar de saudá-los e fazer votos para que sejam muito felizes. Parabéns aos noivos Sílvia e Daniel.»
Tenho ou não razões para me sentir orgulhosa desta Rusga e destes amigos? É nisto que fazemos a diferença. Somos muito mais do que lantejoulas, fogos de artifício e avionetas. A Matriz é a nobreza dos sentimentos. Cada vez tenho mais a certeza disso.
Depois de ver a actuação das rusgas no Estádio do Varzim - o meu coração quase me saiu do peito quando berrava com todas as minhas forças as nossas marchas e principalmente o refrão d’A Mais bela Matriz, arrepiei-me ao perceber da beleza exclusiva da nossa rusga. Nos dias seguintes, disse a várias pessoas e repito: a Matriz é sem dúvida o bairro e a rusga mais belos! Porque vive da sua naturalidade, enquanto que os outros, por força da sua exuberância e porte altivo, acabam por se tornar bastante artificiais, sobretudo nos sorrisos das tricanas.
Há qualquer coisa de mágico em torno da Matriz que eu não consigo descrever. Para se perceber, tem que se estar ali a ver e simplesmente sentir. Resume-se exactamente ao que referi anteriomente. Na Matriz é tudo NATURALMENTE BELO! A diferença está aí.
E também no facto de não andarmos a correr atrás de ninguém. Não queremos imitar ninguém. Não vivemos obcecados por chegar ao patamar de… Somos como somos e adoramos. Não rivalizamos. Passa-nos ao lado essas formas de estar. Amamos o nosso Bairro e a Póvoa. É tudo o que interessa.
És a honra da cidade.
És o berço onde moro.
Solto a minha vaidade por este bairro que adoro.
És a alma que desperta
A magia e a ternura
Minha voz mais se aperta
Com São Pedro rompe o dia.
A Mais bela, Matriz!
Linda, airosa e Feliz!