
Lembro-me como se fosse hoje...
Eram perto das 8 horas quando, o telefone tocou. Soou a estranho, pois raramente recebíamos chamadas àquela hora.
Eu preparava-me para as aulas. Alguém atendeu o telefone. Provavelmente o meu pai. Alguns segundos depois ouvi os gritos da minha mãe.
Percebi que uma má notícia havia chegado.
Desci até ao quarto dos meus pais e deparei-me com a minha mãe desesperada a chorar no escuro... “ A minha mãezinha....Dizia com a voz entranhada de dor.....
Não precisei que me dissessem mais nada....
Fiquei sem reacção.... O meu pai levou-me na mesma à escola, para que eu pudesse abstrair-me da situação. Fui para o liceu, impávida... Era a primeira vez que sentia na pele a perda de alguém querido... Congelei...
Coincidência... ou não... a minha primeira aula era Português A com o Padre Torres... Quando entrei na sala ele olhou para mim e incrédulo disse “Tu, aqui!!!?...”
Aguentei até ao final da primeira hora, mas mal a campainha tocou, pus-me a caminho da casa da minha Avó (ainda hoje me refiro à casa da Milinha, como a casa da Avó).
Pelo percurso tive o meu segundo choque. Olhei para a montra de um café e lá estava a minha Avozinha, no papel da funerária. Corri... Corri até ao Museu.... Só queria estar com a minha Família......Guardo ainda hoje a imagem dos rostos sofredores das filhas e dos netos ...
Lembro-me da Gininha completamente desfeita por perder a sua principal companhia e a sua melhor amiga e da Tininha, que tantas vezes consolou a Avó ao pentear-lhe os seus cabelos compridos...
No dia do funeral, parece que ainda oiço a Cilita dizer “ Já tenho tantas saudades dela....”. Quantas vezes se fecharam as duas no quarto a cochichar!!! :)
Naquele dia, 2 de Outubro de 1997, perdíamos a Matriarca da Família, o elo mais importante que ainda hoje nos mantém unidos e que odiava quando alguém discutia... Que gritava connosco quando jogávamos à bola no quintal e barafustava com o Rubito por lhe partir as bacias ao fazer delas bateria. Que todas as tardes pagava o lanche aos netinhos na loja do Sr. Teixeira. Que ajudava monetariamente em segredo as amigas e as vizinhas. Que adorava ver telenovelas. Que fazia uma sopa e um café maravilhosos e que só ela sabia fazer. Que tricotava casacos e camisolinhas para bébés, lindos de morrer!!!
Num dos últimos Natais que passou connosco, nós, os netos juntámo-nos para lhe cantar a “Mãe Querida”. Ela olhava-nos comovida, incapaz de dizer seja o que fosse...
Tenho na minha memória, uma das últimas vezes em que ela teve que ir para o hospital... Começou a delirar, dizendo coisas que não conseguíamos perceber... Foi levada nos braços pelo tio Zé e pelo Tony....................................
Um dia antes de falecer, fui visitá-la ao hospital, sem nunca esperar que ela estava muito perto de dizer Adeus.... Acho que todos nós nunca pusemos a hipótese dela partir tão cedo. Sabíamos o que sofria com a doença. Aliás, todos nós víamos a caixa cheia de medicamentos que tinha que tomar diariamente, mas nunca pensámos que ela nos fosse deixar assim de repente...
Soubemos que na madrugada em que morreu, chamou pelos filhos... Pediu à enfermeira que os chamasse... Ainda hoje pergunto porquê que não o fizeram....
Hoje faz 10 anos, que perdemos a nossa Avó Isolina.....
Esteja onde estiver, sei que está feliz por continuarmos a ser a Família que ela sempre idealizou. Todos temos os nossos defeitos. Cometemos erros uns para com o outros. Mas amamo-nos com muita força. E o segredo da nossa união está em mantermos o Amor acima de qualquer defeito, orgulho ou teimosia.
Somos o que somos por causa da Avó Isolina. Não tenho dúvidas disso.
BEIJO GRANDE AVÓ!! E cuida bem do nosso menino!!!
Eram perto das 8 horas quando, o telefone tocou. Soou a estranho, pois raramente recebíamos chamadas àquela hora.
Eu preparava-me para as aulas. Alguém atendeu o telefone. Provavelmente o meu pai. Alguns segundos depois ouvi os gritos da minha mãe.
Percebi que uma má notícia havia chegado.
Desci até ao quarto dos meus pais e deparei-me com a minha mãe desesperada a chorar no escuro... “ A minha mãezinha....Dizia com a voz entranhada de dor.....
Não precisei que me dissessem mais nada....
Fiquei sem reacção.... O meu pai levou-me na mesma à escola, para que eu pudesse abstrair-me da situação. Fui para o liceu, impávida... Era a primeira vez que sentia na pele a perda de alguém querido... Congelei...
Coincidência... ou não... a minha primeira aula era Português A com o Padre Torres... Quando entrei na sala ele olhou para mim e incrédulo disse “Tu, aqui!!!?...”
Aguentei até ao final da primeira hora, mas mal a campainha tocou, pus-me a caminho da casa da minha Avó (ainda hoje me refiro à casa da Milinha, como a casa da Avó).
Pelo percurso tive o meu segundo choque. Olhei para a montra de um café e lá estava a minha Avozinha, no papel da funerária. Corri... Corri até ao Museu.... Só queria estar com a minha Família......Guardo ainda hoje a imagem dos rostos sofredores das filhas e dos netos ...
Lembro-me da Gininha completamente desfeita por perder a sua principal companhia e a sua melhor amiga e da Tininha, que tantas vezes consolou a Avó ao pentear-lhe os seus cabelos compridos...
No dia do funeral, parece que ainda oiço a Cilita dizer “ Já tenho tantas saudades dela....”. Quantas vezes se fecharam as duas no quarto a cochichar!!! :)
Naquele dia, 2 de Outubro de 1997, perdíamos a Matriarca da Família, o elo mais importante que ainda hoje nos mantém unidos e que odiava quando alguém discutia... Que gritava connosco quando jogávamos à bola no quintal e barafustava com o Rubito por lhe partir as bacias ao fazer delas bateria. Que todas as tardes pagava o lanche aos netinhos na loja do Sr. Teixeira. Que ajudava monetariamente em segredo as amigas e as vizinhas. Que adorava ver telenovelas. Que fazia uma sopa e um café maravilhosos e que só ela sabia fazer. Que tricotava casacos e camisolinhas para bébés, lindos de morrer!!!
Num dos últimos Natais que passou connosco, nós, os netos juntámo-nos para lhe cantar a “Mãe Querida”. Ela olhava-nos comovida, incapaz de dizer seja o que fosse...
Tenho na minha memória, uma das últimas vezes em que ela teve que ir para o hospital... Começou a delirar, dizendo coisas que não conseguíamos perceber... Foi levada nos braços pelo tio Zé e pelo Tony....................................
Um dia antes de falecer, fui visitá-la ao hospital, sem nunca esperar que ela estava muito perto de dizer Adeus.... Acho que todos nós nunca pusemos a hipótese dela partir tão cedo. Sabíamos o que sofria com a doença. Aliás, todos nós víamos a caixa cheia de medicamentos que tinha que tomar diariamente, mas nunca pensámos que ela nos fosse deixar assim de repente...
Soubemos que na madrugada em que morreu, chamou pelos filhos... Pediu à enfermeira que os chamasse... Ainda hoje pergunto porquê que não o fizeram....
Hoje faz 10 anos, que perdemos a nossa Avó Isolina.....
Esteja onde estiver, sei que está feliz por continuarmos a ser a Família que ela sempre idealizou. Todos temos os nossos defeitos. Cometemos erros uns para com o outros. Mas amamo-nos com muita força. E o segredo da nossa união está em mantermos o Amor acima de qualquer defeito, orgulho ou teimosia.
Somos o que somos por causa da Avó Isolina. Não tenho dúvidas disso.
BEIJO GRANDE AVÓ!! E cuida bem do nosso menino!!!





