Pois bem. No dia 9 de Julho, acordei tranquila. Estranhamente tranquila! Sim porque, quem me conhece bem, sabe que, por norma, sou uma nervosinha e muito cismática. Contrariamente à maioria das noivas que stressam mal entram em contagem decrescente, eu andei super calma desde que saí da cama. Às 09 horas, fui à cabeleireira; cheguei a casa às 11 horas e já estava tudo preparado para a Maria João me maquilhar. Ao meia dia estava maquilhada e às 13 horas, deu entrada em minha casa a Modista com o meu vestido. Às 13h30, chegaram os fotógrafos. E pronto! Demos início à sessão fotográfica que, simplesmente, amei! A Cláudia e o marido, João Paulo são impecáveis a trabalhar e, contrariamente a muitos fotógrafos que por aí andam, passam completamente despercebidos durante o Casamento.
Poucos minutos antes das 15 horas saí de casa, numa limusine Mercedes antiguinha, surpresa do meu primo Pipoca que adorei e que ele próprio conduziu. O meu Pai ao lado dele, e eu atrás com os meninos das alianças, Paulinho e Helena (foi preciso arrancá-la à força da mesa das gomas! lol) e as Meninas das Flores, Margarida e Vanessa (que a meio da missa já espalhavam pétalas de rosa pelo chão! lol)
A chegada à Igreja Matriz foi um momento delicioso. Sabia que ali ao redor, iam estar algumas pessoas que eu fiz questão de lhes dizer para lá estarem, como por exemplo, a Julinha do Café Islândia! Quando sai do carro e fiquei diante daquela fachada, dei por mim a pensar: “Aqui estou eu, vestida de noiva, prestes a entrar na minha bela e velhinha Igreja Matriz e lá ao fundo, à minha espera, o Homem da minha vida!”.
Ao entrar na Igreja, de braço dado com o meu Pai e ao som da Ave Maria de Gounod (antes o meu Noivo havia entrado com a lindíssima Air on the G String. Foi pena terem sido muito poucas as pessoas a presenciar esse momento), cantada majestosamente pela minha querida Ana Celeste, por escassos segundos pensei que não ia conseguir conter as lágrimas.
“Papá, acho que vou chorar!”
“Não vais nada! Aguenta que vais chegar lá à frente num instante!”, disse-me ele com a maior serenidade.
Pois bem. Lá fui eu. Caminhando lado a lado com o meu Rei, rumo ao meu Príncipe. Quando finalmente cheguei ao altar e depois de o meu Pai me ter entregue ao Daniel, olhei para o meu noivo e vi-o lavado em lágrimas de emoção. Confesso que sabia que era possível isso acontecer. Sei bem quem tenho. O meu marido é todo ele coração, alma boa. Mas estar ali, diante dele, vê-lo a chorar de felicidade e de emoção, fez-me sentir grata perante Deus! Mais uma vez.
A cerimónia correu muito bem e procurei recheá-la de pormenores importantes. Relativamente ao Coro, nunca duvidei de que as pessoas fossem gostar. No dia em que me deparei com os Ensemble Minnesang na internet a minha reacção foi: “Tem que ser este coro! É exactamente isto que procuro”. Encetei contacto, pré-reservei a data, fui assistir a uma cerimónia e oficializei o contrato! Como se não bastasse a qualidade vocal da Ana Celeste, evidente em cada música (Uma autêntica dádiva ouvi-la cantar por exemplo o Hallelujah do Leonard Cohen!!) e a diversidade do repertório que eles possuem, ainda é possível pedir-lhes para cantarem uma música que façamos questão de ser tocada e que não conste na lista deles. Foi o meu caso. Provavelmente, a maior parte dos meus convidados não percebeu, nem sabia, mas a música que foi tocada na troca de alianças “Una furtiva lacrima”, foi uma surpresa que preparei para os meus Pais. Foi tocada no Casamento deles, há 36 anos e a minha Mãe queria muito voltar a ouvi-la no meu! Escondi-lhe sempre. Ela bem que me perguntava
“Não podem tocar aquela música de que te falei ?!”.
“Não mamã… Não conseguem…”.
Quando a música começou, não evitei olhar para trás e arrepiei-me ao ver a reacção dela. Obviamente, a troca de alianças é sempre um momento marcante. Estava tão concentrada naquilo que estava a prometer diante de Deus e a absorver cada palavra que a voz se me embargou.
Depois veio o Pai Nosso Galego. E aí… já não consegui mais conter a emoção. Nunca até aquele momento eu tinha sentido tão intensamente esta oração! E fiquei ali com os olhos fixos no altar, a desfrutar daquele momento sublime.
O abraço da Paz foi igualmente emocionante. Com abraços muito fortes e intensos, aos Pais, Irmãos, Padrinhos e Avós. Vi o meu Pai muito pertinho de deixar cair uma lágrima quando me beijava, vi os olhos do meu Padrinho cheios de lágrimas e senti a importância daquele beijo e daquele abraço; senti o arrepio de emoção da Sandrinha e pedi-lhe que me desse um segundo beijo pela minha Madrinha e sua Mãe, Alice (Tantas saudades tuas…) … E depois, veio o abraço sentido do meu avozinho, agarrei-o com tanta força e pedi para que aquele abraço nunca acabasse!
Já no fim, o momento das assinaturas. Eu e o Daniel sentimos um enorme orgulho nos nossos Padrinhos de Casamento e aquele instante ficará para sempre registado na nossa memória.
A saída da Igreja é sempre muito especial! Antes de voltar a percorrer o corredor da Igreja Matriz desta feita para o exterior, ainda tive oportunidade de receber um abraço carinhoso da Ana Celeste e de agradecer a todos os elementos do grupo, porque se a missa teve aquele brilho tão intenso foi devido à actuação deles!
Bom… É escusado dizer que à saída da Igreja levamos um banho de arroz. Eu só dizia “Se soubesse não tinha feito tantos cones!!!”. E depois ouviam-se as dicas “Andem para a frente com a cabeça para baixo!!!!”; “Fechem a boca!!!!”. “Põe a mão no decote!!!”. Uma risada sem fim!
|continua...|