« (...) É mesmo um confronto imprevisto: amor e economia, amor e gestão. Tem um forte impacto, muda as nossas atitudes, transforma-nos, confronta-nos. É uma semente. Não faz sentido não estar presente na gestão...
(...) Sim, sim, sei que posso ser gozado. Podem atirar-me pedras. Já estou à espera disso claro. Mas não me preocupo. O que proponho é simples, embora difícil. Imagine que nas empresas tratamos os outros como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar deles... (...) Pense não apenas nas relações entre colegas, entre chefes e subordinados; pense nas relações com clientes, nos contactos com os fornecedores e até com os concorrentes. Já viu o que seria se nos tratássemos assim, com amor? Já pensou como é importante a honradez e a integridade e quanto isso vale para a economia de um país?
(...) Se eu pensar no meu fornecedor como um amigo, nós sentimos amor pelos nossos amigos, verdade? Ora, se eu o tratar como amigo vou fazer tudo para lhe pagar o que devo a horas, não é? Já viu como isso ajudaria a economia, como isso criaria riqueza? Já meditou sobre o efeito?
(...) Está a ver? Devemos deixar o amor reflectir-se sobre o sistema de avaliação, sobre o bónus e os salários. O amor como critério de gestão é um factor de riqueza. Cria riqueza. Não tenho dúvida alguma.
(...) Eu não digo que é fácil. Alerto para os riscos e dificuldades. Para os problemas. Sublinho que pessoas felizes constroem empresas felizes; e que empresas felizes e humanizadas fazem países mais prósperos e sustentáveis. O caminho? O amor como critério de gestão."
(...) Pense nisto, pense nisto... conte-o aos seus filhos.»
António Pinto Leite, advogado, presidente da Associação Cristã de Gestores e Empresários e membro do Conselho Superior de Magistratura, em "Dinheiro Vivo", suplemento do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, edição de Sábado, dia 2 de Junho de 2012.
Acho que todos os patrões deviam ler este artigo, meditar sobre e... aprender. Mas tenho as minhas dúvidas quanto à capacidade de colocarem em prática esta dica de assumirem na gestão da sua empresa critérios como "amor", "honradez" e "integridade". Aquilo que eu tenho testemunhado e apenas (!) na realidade que me rodeia, é precisamente o contrário... A felicidade dos subordinados pouco importa... Portugal sonha com a prosperidade e a sustentabilidade, mas quem manda gere apenas no sentido dos seus interesses e necessidades...