A aventura começou ás 05 horas do dia 13 de Agosto de 2012. Identifiquei as contracções, tentei aguentar em casa o máximo de tempo possível, mas “elas” doem e na hora “h” o medo aperta e os pontos de interrogação multiplicam-se. Não consegui adiar mais a ida ao Hospital. Pensei: Vou às urgências. Se me mandarem de volta para casa, não há-de ser nada!
Mas não voltei. Embora me faltasse um longo caminho pela frente, o médico que me observou preparou os papéis e lá fiquei. Ou melhor, lá ficamos. Porque o Daniel esteve sempre comigo. Instalaram-me na sala de partos e o processo começou.
Tinha chegado a hora de conhecer a famosa “Epidural”. Receei, confesso. Mas mantive-me tranquila. Limitei-me a confiar na palavra da minha Cunhada. Em jeito de brincadeira comentei com a anestesista: “A minha Cunhada garantiu-me que não doía nada! Espero não ter que lhe chamar mentirosa!!!” J E não tive! A anestesista fez o seu trabalho e, no final, o meu pensamento foi: “É isto a epidural?! Muito bem! Sigamos em frente.”
Um dos maiores receios tinha sido arrumado para o lado! Na verdade, a Epidural foi a minha melhor amiga. Para além de extinguir a dor das contracções, deu um conforto ao meu corpo que eu já não sentia há muito tempo, o que me permitiu aproveitar as longas horas que se seguiram para dormir.
Sim, é verdade, dormi muito e por isso não senti as horas a passar. O Daniel, pelo contrário, contou todos os minutos e desesperou na espera dos 10 cm de dilatação.
Da sala de partos do lado, começamos a ouvir o sofrimento de uma outra parturiente. Como é óbvio, não foi uma situação encorajadora mas, apesar de ter pensado “Será que vou sofrer assim!”, não permiti que o medo me dominasse. Alguns minutos depois, ouvimos o choro do bebé. A Beatriz tinha nascido e era VIDA que se sentia em todo aquele espaço!
Eu e o Daniel, aguardávamos cada vez mais ansiosos pela nossa vez de viver aquele momento e ter o nosso filho nos braços. Quando uma das médicas que me foi observando disse: “Pronto, já tem os 10 cm de dilatação!”, foi como se tivéssemos ganho um Campeonato!!! O troféu tão desejado chegaria às nossas mãos instantes depois!
Tenho a felicidade de poder dizer que tive um parto santo! Meia dúzia de puxos bastaram para pôr o Vasco cá fora. Eu própria não queria acreditar na simplicidade e rapidez do momento. Uma das parteiras bem me disse: “Sílvia, mais dois puxos e o Vasco está cá fora”, mas eu limitei-me a interpretar aquelas palavras como apenas um incentivo! Foi então que, depois de um novo puxo, ouvi o Daniel dizer, emocionado “Já estou a ver a cabecinha dele!” e percebi que a Enfermeira estava mesmo a dizer a verdade. Mais um puxo e o meu príncipe nasceu!
A partir desse momento, toda eu fui lágrimas. O que se sente é algo tão forte que só quem vive consegue perceber. Ouvir o choro do Vasco, vê-lo ali ainda ligado a mim pelo cordão umbilical, ver o Daniel a cortar o cordão, e depois receber o meu menino e senti-lo no meu peito, foram momentos intensos e de uma magia incomparável. Jamais esquecerei o cheiro do Vasco quando o pousaram no meu peito, acabadinho de nascer, nem o calor do corpo dele na minha pele! Assim como nunca irei esquecer o sorriso do Daniel e o brilho dos olhos dele perante tamanha felicidade!
Estamos muito felizes! O Vasco é o nosso sonho tornado realidade! Nestes cinco dias, já perdi a conta às vezes em que ficámos os dois embevecidos a contemplar o nosso menino e em que comentámos um com o outro o quanto ele é lindo e fofo! Já perdi também a conta às vezes em que a minha pele se arrepiou ao ver Pai e Filho juntos e ao constatar as semelhanças físicas entre os dois!
Sempre me senti completa com o Daniel. Desde o nosso primeiro dia! O nosso pequeno príncipe é o coroar do nosso Amor!! E eu não podia estar mais derretida!!!
J